quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

HOMILIA de 14/12 - Convento de Santa Teresa

Feita por Pe. Silmar Alves Fernandes
Capelão do Convento de Santa Teresa , em Santa Teresa.

Solenidade de Nosso Pai São João da Cruz

Caríssimas Irmãs,

Hoje a Igreja exulta de alegria e com ela toda a Ordem do Carmelo. Deus, em sua providência, escolheu o pequeno Sêneca, o seu santo frei João da Cruz, como incandescente farol que ilumina a noite escura de nossas almas, a noite escura de nosso tempo. Nesta experiência interior da ausência de Deus, João da Cruz foi eleito pela predileção divina – “homem celestial e divino”, como escrevera Santa Teresa à sua filha Ana de Jesus; precioso aos olhos de Deus, como ouvimos hoje dizer o Profeta Isaías, na primeira leitura.

Padre Frei João da Cruz, como Santa Teresa o chamava, era homem santo que buscava o perfeito amor, esquecia de si mesmo e nutria o desprendimento das criaturas. Era para Nossa Santa Madre Teresa “jóia de grande valor”. Bebeu do cálice do Senhor porque se fez amigo da reforma e de sua reformadora. Mesmo perseguido não revoltou-se contra seus confrades inimigos. Dele dizia sua amiga Teresa: “Embora pequeno, era grande aos olhos de Deus”.

Hoje, ó doutor místico da Cruz, num mundo onde os homens modernos carregam profundas dores em seu espírito, necessitamos do seu convencimento, para que o Cristo seja também toda a nossa pergunta e inteira resposta, toda a nossa visão e revelação, nós, que , às vezes, caminhamos como autores de nossa própria cegueira, às apalpadelas, longe de Cristo que se fez Carne e Palavra.

Amigo de Santa Teresa, o Santo de Fontíveros compreendeu que não podemos fugir dos desígnios divinos, ocultando nossa vida de sua Presença, já que a nossa vida permanece escondida Nele. Diz o salmista: “Em que lugar me ocultarei de vosso espírito? E para onde fugirei de vossa face?”(Sl. 138)

Também São Paulo nos lembra em sua carta aos Romanos, que “somos co-herdeiros de Cristo”, como graça batismal que nos foi doada, “que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”, esta glória futura que o nosso coração deve saber esperar.

Do seu cárcere de Toledo, a Igreja do passado e do presente é glorificada por sua união de abandono em Cristo Jesus. Dos altares de tantos Carmelos a santidade de sua vida intercede e eleva as nossas preces ao Bom Deus, para que sejamos “conformes à imagem de seu Filho” (Rm. 8)

Nós, como pecadores, imploramos com palavras que um dia foram suas: “Meu Senhor, meu Amado, se não realizas o que eu te peço e porque ainda te lembras dos meus pecados...Como chegará a ti o homem gerado e crescido como imperfeito, se não o ergues com a mão que o criastes?” Ensina-nos, São João, a estarmos enamorados de Deus.

Glorificaremos o seu Nome, Deus-Pai, tal como Jesus assim o fez, para que nos guarde em sua comunhão trinitária, comunhão de amor que seu Nome encerra, livres da iniqüidade presente e da malícia que há no mundo. Mas “onde te escondeste Amado, deixando-me em gemido? Fugiste como cervo levando-me ferido. Clamando eu fui por ti e já tinhas partido”.

Como cantar nesta terra macerada de exílios? Em noites terríveis que nos assombram? O mundo parece que não te conheceu – Cristo fala pela boca do discípulo amado. Como encaminhar o coração febril à definitiva aurora? Raios luminosos atravessam a pedra do túmulo – Luz da antiaurora! Luz da ressurreição do Verbo! “Numa noite escura de ânsias e de amor ardendo, oh! Ditosa ventura! Fugi sem ser notado, estando a minha alma sossegada”

Leva-nos, ó sábio místico, a guardar a presença de Jesus como nosso “irmão, companheiro e mestre, preço e prêmio.” Até que soe a hora e cantemos matinas no céu. Já “rompida a tela, doce será o encontro”. A noite será como o dia. Amém.

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